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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Eu já não quero mais falar.


"Preciso é prestar atenção para não me encarnar 

numa vida perigosa e atraente, e que por isso 
mesmo eu não queira o retorno a mim mesma."

Clarice Lispector, no conto Encarnação involuntária, in Felicidade Clandestina, p. 51



                                                                                                                           Foto: João Paulo Alvares Rua.



E eu, já não quero falar de mim. Não há nada o que dizer. Não quero falar do que está ausente. Eu queria mesmo era não querer nada. Preciso escrever algo que me minha boca não denuncia. Resvalando da minha alma desarmada um tanto do que não revelo. São segredos tão meus que resolvi me cancelar, submeter e abrigar. Estou a fim de brigar. Dar uma bofetada nas coisas que pensei ser minhas verdades. Um verdadeiro murro no estomago que faça doer, mas eu já grifei: Não quero falar de mim. Das minhas crises existências, das ideias transmitidas amplamente por ai, do que desejo, desse meu jeito de chamar atenção.  Eu não quero falar, eu quero correr .
vou explicar um pouco o que me aconteceu: Eu  me encontrava  um bom  tempo todo sentada em uma cadeira no centro da sala de estar, esse bem estar que alguns cômodos nos oferecem tão confortáveis e macios, esse estar sempre achando que é melhor assim, eu achando que poderia responder minhas estranhas agonias do camarote, ao longe para evitar as maiores ameaças, que ao certo viriam se eu ficasse mais aproximada, quando deste lugar uma espécie de solavanco me fez acordar em um casebre cheio de poeira, teias e telhados quebrados, sobre uma mesa de madeira velha estava um pão velho, e ao lado uma cadeira corroída pelos cupins. Eu estava com a cara assustada de como alguém que não acreditava que havia acordado de um sonho bom.  Minha barriga roncava de fome, minha boca sangrava de sede. Olhei para o pão e preferi não submeter meu estomago aquela coisa envelhecida, achei poder encontrar algum alimento melhor nos armários, mas ao tentar me levantar, senti um enfraquecimento nos meus pés, então adormeci por horas para ver se afunjentava minha fome . Ao acordar o pão não estava ali, a casa não estava lá, tudo o que eu tinha não me abrigavam mais, então me vi na real desventura humana.
Prefiro não falar do eu achei que era meu de direito, das próprias explicações que eu dei para tanta coisa, eu não quero justificar nada. Eu apenas quero correr atrás desse meu ausente. Eu quero agora, comer o pão adormecido que vi em uma miragem e talvez seja tarde, desisto. Eu quero parar de querer tanto, contudo essa desconexão entre os meu anseios que eu não procuro entender, sinto que o que não quero mesmo é me encarar. 


Bruna Fávaro

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8 comentários:

  1. boaa noiteee querida....
    que post lindo!
    tudo mto belo por aquii!...

    adorei!

    grande beijoo..



    ♥ Mιcнєllє Trєѵιsαηι

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  2. E me istigou a prestar mais atenção no que você tenta não dizer e no que não diz, não dizendo diz.
    Tô incontestavelmente atenta.
    você sabe dizer :)

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  3. Palavras magnificas.
    O que dizemos nem sempre é a expressão da verdade da nossa alma, mas os olhos, para quem sabe lê-los, sempre nos denunciam!

    Gostaria que desse uma passada no meu blog! Seria uma grande honra para este que ama suas palavras! (sempre as leio em oculto)
    olivernomade.blogspot.com

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  4. Ah, só pra constar: Estou te seguindo!

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  5. Poxa, que texto legal. Também estou a procura do meu ausente. Tão complicado.
    Bjos

    citacoesecia.blogspot.com

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  6. Oi Bruna!

    Adorei seu blog! Seja bem vinda ao BotaPontoNisso.

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  7. seguindo :)

    se puder retribuir, tá ai

    www.medicinepractises.blogspot.com


    beijoo

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