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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A corda e o pulo.



"Remexo dentro de mim, nem sempre é fácil saber a parte de nós que ficou no caminho: toco... faço a ferida arder. Sentir a ferida, é a maneira mais rápida de curá-la. Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem."






Em uma madrugada uma situação imprevista aconteceu, o galo cantou no tempo errado, despertando de um pesadelo decorrente que antes parecia sonho. Olhou para sua presença e enxergou um grande vazio, uma ausência de esperança. Sentiu apertar no corpo um amofinar, um fino amor que sentia, mas tão pouco queria reconhecer em sua força.
Então lá estava em um canto construindo tetos imaginários para se abrigar de uma chuva que tão pouco existia. Ficava debaixo de sua pequena aldeia observando os sinais, os trajetos, os olhares e as pessoas, às vezes surgia uma enorme vontade de se lançar em uma multidão, gargalhar e brigar, mas sabia que sempre vinha um sentimento de estranheza e desconforto no final. Então era melhor sentir-se sozinha e voltar a seu jeito “Bicho-do-mato”.
Amava loucamente esse silêncio de estar só, pois remexia seu interior que cantava, cantava, cantava e gritava. Um grito tão forte que a irritava, trancava-se de raiva, escondia-o bem forte, engolia-o bem seco como aspirina tomada sem água. Algo que aliviava a dor maior em troca de uma dor apaziguada, contudo que incomodava arranhando a garganta. Queria falar, portanto estava ocupada demais com a sua aflição. Um estado inquietante que passava rápido e ela então voltava para o mesmo lugar e nem gostava.
Afinal, o que ela queria tanto? Sua busca parecia bruta. Seu andar parecia arrastado. Sua cerviz endurecida. Sua expressão fragmentada e em suas costas um pesar.
Era o peso, preso em seu corpo. Era o chão preso em seus pés. Era o cansaço incomodando seus sonhos e uma viga atravancando seu maior amor.
O ar assobiou um despertar, sussurrando doces os ingredientes da cura. Então cantou afinada sua primeira canção e germinou em uma composição extraordinária de vida, pode então voar sem asas, em um rodopio de bailarina leve, em uma dança sem medir os passos, sem olhar para os pés. Levantou a cabeça de olhos fechados em uma oração, rodopiou devagar e sentiu a força invadir sua alma. Repetia em diferentes alturas “-vem junto comigo hoje, me abrace para sempre”.
A corda, o pulo para acordar. O laço e seu mundo ressurgido. Foi em direção ao abraço e o braço em direção a ela, já estava envolto. Então a levou em seus braços e guardou seu coração. 

Bruna F.

5 comentários:

  1. Acorda, bailarina! Pule suas incertezas como menina de vestido floral embaixo do acolhedor calor do sol.

    Quanto aos braços e abraços, você sabe onde ficar...
    Que seja leve!

    Te acordo, sorrio e te vejo correr para o amor...

    Beijo meu, Alma!

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  2. Muitas Vezes Deus Tira Alguem Que
    Amamos Tanto.
    Mais Esse Mesmo Deus Traz Alguem
    Que Aprendemos Amar..
    Por Isso NÃo Devemos Chorar
    Pelo Que Nos Foi Tirado
    E Sim ..Aprender A Amar O
    QUE Nos Foi Dado ..
    Nada Que È Nosso Vai Embora Para Sempre.
    A Você Com Muito carinho um
    feliz Domingo (DIA DOS PAIS)
    Beijos No Coração.
    Evanir.

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  3. Olá Bruna

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