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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Viva.


"Agora é um instante. Você sente? Eu sinto"


Clarice Lispector



Ela vai seguindo todos os dias na mesma rua, sem nada dizer. Somente escuta a canção no qual será levada.  Aquilo que ela sente ao caminhar ninguém pode afirmar, firma-se com todas as forças seus pés no chão e ainda assim pode voar. 
Seu corpo come vento, seus olhos bebem luz, seu silêncio é um grito interno de libertação.
Ela movimenta devagar os seus braços e despede-se da sua fúria. Ao ver partir não se desespera, apenas vive o tempo de ser bem-aventurada. Não pode existir no mundo maior sensação de vida. Viver é estar conectada a certeza. Acredito.
Posso a ver chorar, contudo não são lágrimas tristes, não. São rios de exultação. É uma aleluia!
Ela dança conforme a música.  E não teme o que irão dizer, ainda existem fatos que os outros não avistam. É seu mistério. Para que desvende basta admitir tal condição e deixar que se permita afetar. Sentir.
Ela entrega-se em compasso tão sublime.  Sua salvação destruiu impérios de culpa. Ela segue porque sabe que há graça em viver como se precisa e por isso vai construir seus alicerces. Contemplando sua missão de permanecer viva.

Bruna Fávaro 


3 comentários:

  1. "E não teme o que irão dizer, ainda existem fatos que os outros não avistam. É seu mistério."


    Meu mistério se torna límpido quando você escreve!


    Se vc tocasse mais minha realidade interna seria por demais invasão. Mas, vc sabe fazê-lo. As palavras sabem invadir poros microscópicos.

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  2. Vejo que se encontra muito em Clarice Lispector. Também gosto dela. Paraéns pelas palavras! :)

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  3. Esse que é o charme da arte, cada um sente de um jeito. Mas todos sentem.


    Bjux

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