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terça-feira, 3 de julho de 2012

A flor da pele


Ah bruta flor, bruta flor!
Querer dos quereres - Caetano Veloso



Dia desses senti um sopro grave, era a vida a fim de me arrepiar a pele. A flor que descansava em minha tez despertava brutal a tua procura, os espinhos tatuavam meus pés um sinal de partida e os mesmos caiam em terra com o principio de uma busca. Movimentavam-me as pontas dos pés, e na ponta deles eu garanti alguma altura a mais, então eu avistava os meus sonhos e medos mais de perto.

Fina flor, aonde tua sensibilidade me levará? Minhas pétalas macias já não me confortam mais. Não sei me desfazer, muito menos te abandonar.
Meu chorar já não alivia mais! Marcas recém-fincadas latejam. Transcreve as marcas do que é difícil ser apagado. Tuas pétalas flor são minhas... Teus espinhos também são.  

Nesse jardim que agora habito, cresço em várias direções. Adormeço a menina para despertar Mulher, isso me dói. 


Bruna Fávaro


"Oh flor, se tu canta essa canção
Todo o meu medo se vai pro vão
Pra longe, longe que eu não quero ir
Mas deixe seu rastro pólen, flor pra eu poder seguir"

Maria Gadú


Um comentário:

  1. Te vejo crescendo, alma-flor, com tuas pétalas e espinhos. Com tua dor de ser. Doendo junto contigo também me arrisco em estar viva.

    Não sei porque é assim, mas tua companhia tão bela nessas linhas confortam meu coração, daquele jeito que as minhas pétalas já não fazem mais também.

    Talvez seja isso.

    Amo-te!
    E obrigada por ter levado a sério minha vontade de te ler ( e sobretudo a tua de escrever), quando uma alma fala a vida ganha em poesia!

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